O que é exatamente a glicemia?
A glicemia designa a quantidade de glicose presente no sangue. Este açúcar é o principal combustível dos seus músculos e do seu cérebro. Quando corre, quando levanta pesos ou quando encadeia séries, o organismo vai buscar energia aí em primeiro lugar. A glicemia, também chamada nível de açúcar no sangue, exprime-se em miligramas por decilitro (mg/dL) ou em milimoles por litro (mmol/L). Em Portugal, os laboratórios apresentam quase sempre o resultado em mg/dL.
Este valor nunca é fixo. A glicemia pode variar de hora para hora consoante as refeições, o stress, o sono e o treino do dia. Esta variação interessa diretamente a quem pratica desporto: condiciona a energia disponível durante o esforço e a qualidade da recuperação.
Insulina e glucagon: o sistema que regula tudo
A regulação da glicemia assenta num sistema hormonal bastante simples. Depois de uma refeição, o pâncreas liberta insulina. Esta faz entrar a glicose nas células e o valor volta a descer. Quando o açúcar começa a faltar, outra hormona, o glucagon, vai buscar as reservas do fígado. Numa pessoa saudável, tudo isto acontece sem que se dê por isso. Numa pessoa com diabetes, este mecanismo falha: falta insulina, ou então ela deixa de agir corretamente sobre as células.
Glicemia em jejum: quais são os valores normais?
A glicemia em jejum continua a ser o valor de referência. É medida de manhã, antes do pequeno-almoço, numa colheita de sangue venoso. Estas são as referências usadas pelos médicos:
- Glicemia normal: entre 70 e 110 mg/dL, ou seja, 3,9 a 6,1 mmol/L.
- Pré-diabetes: entre 110 e 126 mg/dL. É um sinal de alerta, ainda não uma doença instalada.
- Diabetes: 126 mg/dL ou mais, em duas colheitas diferentes.
- Hipoglicemia: abaixo de 60 mg/dL, sobretudo se surgirem sintomas.
Quantas horas de jejum antes de uma análise ao sangue?
Conte 8 a 12 horas sem comer. Na prática, janta normalmente na véspera e depois não toma mais nada até à colheita. A água natural é permitida, e até aconselhada. Já o café, o chá com açúcar, o sumo de fruta, a pastilha elástica e o tabaco falseiam o resultado. Evite também um treino muito intenso na noite anterior: um esforço extenuante altera por vezes o valor do dia seguinte.
A partir de que valor de glicemia se é diabético?
O limiar está fixado em 126 mg/dL em jejum, confirmado duas vezes. Um valor superior a 200 mg/dL a qualquer hora do dia, acompanhado de sede intensa, vontade frequente de urinar e cansaço, também chega para o diagnóstico. Fala-se de um valor perigoso acima dos 250 mg/dL: a vigilância torna-se importante e impõe-se um parecer médico sem demora. Pelo contrário, um valor isolado um pouco alto não prova nada. Só um médico faz o diagnóstico, cruzando várias informações, entre elas a hemoglobina glicada (HbA1c).
Glicemia depois de uma refeição: o que acontece realmente
Depois de comer, o valor sobe, e isso é perfeitamente normal. O pico chega em geral entre os 30 e os 60 minutos. A curva desce a seguir. Uma glicemia que, duas horas e meia depois da refeição, já está abaixo de 140 mg/dL é bom sinal: o seu sistema funciona bem. Se ficar alta durante várias horas seguidas, fale com o seu médico.
Esta tabela de valores depois da refeição serve de referência simples:
- Antes de ir para a mesa: 70 a 110 mg/dL.
- Uma hora depois da refeição: menos de 140 mg/dL, muitas vezes o valor mais alto do dia.
- Duas horas depois da refeição: menos de 140 mg/dL numa pessoa sem diabetes.
- Ao deitar: 100 a 130 mg/dL numa pessoa com acompanhamento médico.
Aparelho para medir a glicemia: medidor, tira ou sensor
Um aparelho para medir a glicemia cabe num bolso. O modelo clássico junta um medidor de glicemia, um dispositivo de punção e uma tira reativa. Pica a ponta do dedo, coloca uma gota de sangue na tira e o aparelho mostra o resultado em cinco segundos. É a chamada glicemia capilar.
Nos últimos anos impôs-se um novo material: o sensor de glicemia em contínuo. Este pequeno disco cola-se no braço, fica colocado cerca de duas semanas e envia os dados para o telemóvel. Deixa de ser preciso picar o dedo a cada controlo e obtém-se uma curva completa ao longo de 24 horas. Ainda assim, os medidores clássicos continuam muito usados: fiáveis, robustos e bastante mais baratos.
A autovigilância da glicemia no dia a dia
A autovigilância da glicemia consiste em medir o próprio valor em momentos definidos com o médico: ao acordar, antes de uma refeição, antes ou depois de um treino. Medir a glicemia na ponta do dedo demora menos de um minuto. Registe cada valor, bem como o conteúdo do prato e a intensidade do esforço. Estas informações valem ouro na consulta seguinte. Ajudam a ajustar o tratamento, as doses de insulina ou determinados medicamentos. Ainda assim, este material nunca substitui uma análise ao sangue feita em laboratório.
Como baixar a glicemia?
Dois fatores dominam todos os outros: a alimentação e a atividade física. Um músculo que trabalha consome glicose sem precisar de insulina. É por isso que uma caminhada rápida de trinta minutos depois do almoço faz mesmo diferença.
- Mexa-se depois das refeições, nem que sejam dez minutos: o pico achata-se claramente.
- Acrescente treino de força duas a três vezes por semana. Mais massa muscular significa mais glicose armazenada.
- Dê prioridade a alimentos de índice glicémico baixo: leguminosas, flocos de aveia, legumes verdes.
- Comece a refeição pelas fibras e pelas proteínas e deixe os hidratos de carbono para o fim.
- Durma o suficiente: uma noite curta demais faz subir o valor logo no dia seguinte.
Um personal trainer constrói uma rotina realista à volta destes hábitos, ajustada ao seu nível e à sua agenda. Os nossos conselhos de nutrição desportiva completam bem esta abordagem.
Em quanto tempo se consegue baixar a glicemia?
Depende da escala de tempo. Um treino de cardio moderado faz descer o valor em 20 a 40 minutos. Ao fim de uma semana de atividade regular, os valores da manhã já melhoram. Para a hemoglobina glicada, conte dois a três meses: ela reflete a média dos últimos 90 dias. A regularidade pesa, portanto, muito mais do que um esforço heroico isolado. Nunca altere sozinho um tratamento em curso.
Hipoglicemia e hiperglicemia durante o esforço
Quando a glicemia está demasiado baixa, o corpo avisa depressa: tremores, suores frios, visão turva, pernas moles. Esta hipoglicemia surge por vezes numa saída longa feita em jejum. A regra cabe numa linha: 15 g de açúcar de absorção rápida e novo controlo um quarto de hora depois.
No extremo oposto, uma glicemia demasiado alta, ou seja, uma hiperglicemia, provoca sede, cansaço e quebra de desempenho. Em alguns desportistas com diabetes, um esforço muito intenso chega mesmo a fazer subir o valor por causa da adrenalina. Se a glicemia estiver demasiado alta antes do treino, adie o exercício e arranje tempo para consultar o médico.
Porque é que a minha glicemia sobe se não comi nada?
A pergunta aparece muitas vezes e a resposta é tranquilizadora. Entre as 4 e as 8 da manhã, o organismo liberta cortisol para preparar o despertar e o fígado liberta glicose: é o fenómeno do amanhecer. O stress, uma infeção, a falta de sono, a desidratação ou medicamentos como os corticoides produzem o mesmo efeito. Um valor que sobe sem refeição não tem, portanto, nada de absurdo. Se isso se repetir, anote os seus valores e mostre-os ao seu médico.
Perguntas frequentes sobre a glicemia
O desporto chega para equilibrar uma diabetes?
Não. A atividade física é um pilar do tratamento, mas complementa o acompanhamento médico e, se for preciso, os medicamentos. Uma vida ativa reduz claramente o risco de complicações.
É preciso ter um medidor quando não se tem diabetes?
Não é necessário. Uma análise ao sangue no check-up anual chega à maioria das pessoas. Os conteúdos que gabam o sensor para toda a gente estão sobretudo a vender material.
Quando se deve consultar um médico?
Assim que um resultado anormal aparece várias vezes, ou se a sede, o cansaço e a perda de peso se instalarem. Este artigo dá referências de saúde, não substitui um parecer médico personalizado.